UFPel lidera etapa regional de pesquisa para diagnóstico de Alzheimer
Até tempos não muito distantes – menos de uma década, aproximadamente –, um diagnóstico definitivo da Doença de Alzheimer apenas poderia ser dado após o falecimento do paciente; até lá, esta era declarada somente por sinais clínicos, observados por profissionais médicos.
Recentemente, o avanço das pesquisas sobre o tema levou à formulação de um exame de sangue que detecta biomarcadores sanguíneos que indicam as alterações cerebrais associadas ao Alzheimer, subsidiando o diagnóstico clínico. Este usa apenas uma amostra simples de plasma e equipamentos ultrassensíveis, capazes de detectar quantidades mínimas das proteínas buscadas. O custo estimado é cerca de dez vezes menor do que as demais investigações, que incluem exames de imagem e de líquor.
Entretanto, seu desenvolvimento, ocorrido em um contexto de populações do Hemisfério Norte, carece de validação para aplicação em populações mais diversas, como as encontradas no Brasil: níveis educacionais variados, acesso desigual aos serviços de saúde e grande diversidade clínica. Além disso, o objetivo é mostrar a viabilidade desse exame em grande escala, possibilitando a sua adoção pelo Sistema Único de Saúde, por exemplo.
Assim surgiu a Iniciativa Brasileira de Biomarcadores em Doenças Neurodegenerativas (IB-BioNeuro), pesquisa conduzida pelo Instituto de Ciências Básicas da Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (ICBS/UFRGS), com suporte do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul.
A primeira fase do estudo consiste na coleta de sangue de 3 mil voluntários, advindos de 10 regiões do estado. Liderando a prospecção e a realização dos ensaios no Sul do RS, está a Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Ocupa a coordenação local da iniciativa o professor Roberto Almeida, do Centro de Ciências Químicas, Farmacêuticas e de Alimentos. Segundo ele, Pelotas e arredores tem grande importância para a iniciativa: “É uma das regiões mais miscigenadas do estado”.
A meta é captar, na região, 300 participantes. Os voluntários precisam ter 50 anos ou mais e serem cognitivamente saudáveis. Após preencherem um questionário de triagem, os escolhidos, de acordo com os critérios necessários para a pesquisa, passam por uma entrevista, que dura cerca de duas horas, e coletam uma amostra de sangue.
As coletas já estão ocorrendo desde o início do ano, e esta etapa da pesquisa tem previsão de se estender até o final de 2027. Interessados em participar devem preencher o formulário eletrônico disponível neste link e aguardarem o contato da equipe da pesquisa.
